Enquanto lia as palavras cruas e honestas de Fidalgo, com os cheiros das ruas de Santos, me deparei com algumas frases familiares – lá no capítulo IV, página 12 -, que logo reconheci como minhas. Algo que eu tinha escrito e ele tinha reproduzido no livro. Logo depois, vinha um trecho assim: “Cada vez que sabia que alguém, com a idade daquele garoto, havia tido saco de ler A Porta dos Fundos do Paraíso e, ainda por cima, escrever algo a respeito, ele ficava de certa forma surpreso e, de certa forma, feliz. Surpreso porque jamais imaginou que garotos daquela idade se interessassem pelo tipo de coisa que ele escrevera no livro; feliz porque aquilo era uma espécie de prova de que, apesar de tudo, a garrafa com a sua mensagem continuava navegando e chegando a mãos que ele considerava improváveis, quando a lançou no mar.”
O trecho é maior e continua com o saboroso texto. Mas essa parte é especialmente especial e precisava compartilhar.
Um outro trecho de João e Jeremias:
“Olhando para o mar, eu pensei que devia achar algo mais importante pra dizer a respeito da porra daquele mar. Mas não consegui pensar em nada mais importante, além do fato daquela porra daquele mar banhar a porra da cidade onde eu vivi grande parte da porra da minha vida. Contudo, se alguém tinha mesmo que contar a porra daquela história, eu estava disposto a tentar. Por quê? Eu não fazia idéia. Isso, contudo, não importava. Afinal, era apenas uma porra de uma história.”
João e Jeremias (a porra da história) já pode ser encontrado na Realejo Livros. A Realejo tem duas lojas em Santos. A primeira fica ao lado da Praça Independência,número 2 da Marechal Deodoro. A segunda fica dentro do Shopping Miramar – a menos de uma quadra da primeira – no piso 1, lojas 63/65. Fones: (13) 3289-4935 / (13) 3977-4962
“Olhando para o mar, eu pensei que devia achar algo mais importante pra dizer a respeito da porra daquele mar. Mas não consegui pensar em nada mais importante, além do fato daquela porra daquele mar banhar a porra da cidade onde eu vivi grande parte da porra da minha vida. Contudo, se alguém tinha mesmo que contar a porra daquela história, eu estava disposto a tentar. Por quê? Eu não fazia idéia. Isso, contudo, não importava. Afinal, era apenas uma porra de uma
“João e Jeremias (a porra da história)” é o segundo livro do jornalista e escritor José Roberto Fidalgo. Após o lançamento de “O Ano da Lagartixa”, em 2007, classificado pelo autor como uma “fábula urbana”, o novo trabalho aborda a história de dois amigos, que se reencontram, virtualmente, pela internet, após muitos anos e relembram, por meios nada ortodoxos, episódios vividos por ambos e um grupo de amigos, durante um determinado verão, numa cidade à beira-mar.
José Roberto Fidalgo, ou JR Fidalgo, como prefere ser identificado na sua persona de escritor, afirma que “João e Jeremias” é um romance de ficção, mas, como em “O Ano da Lagartixa”, ele admite que tanto personagens como situações são baseadas na vida real, “embora tudo misturado num liquidificador com defeito de fabricação.”
Uma das primeiras pessoas a ler “João e Jeremias”, o amigo e arquiteto santista Paulo Martins, assim se referiu ao livro, em e-mail enviado ao autor: “Viajei por sua Santos e percebi que ela também é minha Santos. Ler o livro foi como ler minha própria mente , se é que me entende. Senti o cheiro dos lugares…o som dos lugares…vi os lugares…embora inominada…sua descrição da cidade é perfeita…caminhei com você os seus caminhos…mas o que mais curti foi o raciocínio cerebral…as idéias das coisas…nada como pertencer a uma mesma geração…numa mesma cidade e perceber que se vive as mesmas coisas..é isso!!”
Comentando as palavras de Martins, JR não nega que muito do novo livro se inspirou em verões vividos na cidade de Santos durante as décadas de 70 e 80. “No entanto, a história de João e Jeremias poderia acontecer em qualquer cidade à beira-mar, em qualquer lugar do país…ou do mundo. Acho que cada leitor vai se identificar com aquilo que fizer sentido para ele.”
Serviço – “João e Jeremias (a porra da história)” pode ser encontrado na Realejo Livros. A Realejo tem duas lojas em Santos. A primeira fica ao lado da Praça Independência,número 2 da Marechal Deodoro. A segunda fica dentro do Shopping Miramar – a menos de uma quadra da primeira – no piso 1, lojas 63/65. Fones: (13) 3289-4935 / (13) 3977-4962

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A balada de um banqueiro bandido.mp3 (3602 KB)
Gilvan Gomes/JR Fidalgo

Há uma banda tocando aqui
Outra banda está lá na esquina
Outra banda eu não ouvi
Outra banda só desafina
E esses homens que nunca crescem
Se parecem com seus fantasmas
Estão velhos, acabados
Sufocados com suas asmas
Há um show lá no bar da esquina
Bem naquele que fechou
Os fantasmas se reuniram
E disseram que é rock and roll
E esses homens se parecem
Com um filme que já passou
Estão prontos pra partir
Mas seu trem ainda não chegou
Os fantasmas tocaram alto
Marinheiros se embebedaram
Gelo seco sobre o asfalto
Os fantasmas se mandaram
E esses homens que nunca crescem
Se esconderam nos bueiros
Da cidade nunca esquecem
Suas ruas e os seus cheiros
Há uma banda tocando alto
Lá na esquina daquele beco
Há uma sombra sobre o asfalto
E hoje o tempo está tão seco
E esses homens que nunca crescem
Não conseguem entender
Porque mesmo condenados
Escaparam de morrer





