OS FANTASMAS DO ROCK AND ROLL

2009 Novembro 3
por oanodalargartixa

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Há uma banda tocando aqui

Outra banda está  lá na esquina

Outra banda eu não ouvi

Outra banda só desafina

E esses homens que nunca crescem

Se parecem com seus fantasmas

Estão velhos, acabados

Sufocados com suas asmas

Há um show lá  no bar da esquina

Bem naquele que fechou

Os fantasmas se reuniram

E disseram que é rock and roll

E esses homens se parecem

Com um filme que já  passou

Estão prontos pra partir

Mas seu trem ainda não chegou

Os fantasmas tocaram alto

Marinheiros se embebedaram

Gelo seco sobre o asfalto

Os fantasmas se mandaram

E esses homens que nunca crescem

Se esconderam nos bueiros

Da cidade nunca esquecem

Suas ruas e os seus cheiros

Há uma banda tocando alto

Lá na esquina daquele beco

Há uma sombra sobre o asfalto

E hoje o tempo está tão seco

E esses homens que nunca crescem

Não conseguem entender

Porque mesmo condenados

Escaparam de morrer

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2009 Outubro 26
por oanodalargartixa

POR QUE EU VOLTEI PARA A AMÉRICA

2009 Setembro 20
por oanodalargartixa

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NÓS, OS DINOSSAUROS

2009 Setembro 11
por oanodalargartixa

HONEY WHITE

2009 Setembro 3
por oanodalargartixa

TIRE SEUS OLHOS DE MIM

2009 Julho 28
por oanodalargartixa

RUN, JOHNNY, RUN, RUN

2009 Julho 21
por oanodalargartixa

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MENSAGEM NA GARRAFA

2009 Julho 11
por oanodalargartixa

naufragio
Agora ele estava ali, rascunhando o mapa do tesouro perdido,  procurando remover escombros que escondiam pistas que talvez o trouxessem de volta à estrada principal.

Reconhecia alguns estilhaços, mas não conseguia juntá-los a ponto de criar uma imagem coerente, nem mesmo o arremedo de uma flecha que indicasse o caminho da praia.

O barco, avariado várias vezes, tentava manter-se à tona, a despeito das ondas imprevisíveis, provocadas por fantasmas conhecidos e desconhecidos. Então, um vento repentino apagou a luz de todos os faróis num raio de quilômetros e quilômetros de distância.

Até mesmo os piratas não se arriscariam, agora, a prosseguir em busca de suas presas, por mais fáceis que elas fossem.

Os dias iam passando e as marés se alternavam com a velocidade de aviões supersônicos, cujos pilotos, com mãos trêmulas e suadas, não conseguiam mirar os mísseis para abater os inimigos.

De que valem radares para rastrear o invisível? De que valem lemes pendurados por um fio de cabelo?

O coelho fugiu da cartola do mágico, enlouquecido em meio a uma plantação de cenouras gigantes.

Deslizando na escada rolante do shopping, o vendedor esquece a ordem das mercadorias nas prateleiras da loja onde trabalha. Ao chegar ao andar térreo, esquece também onde fica a loja. Saca de sua caneta e aponta para um segurança, que lhe diz: “É proibido fumar nesta área”.

Dois policiais algemam o vendedor. Em vez de uma viatura, suge uma ambulância, que atropela um cachorro antes de parar. Um enfermeiro aparece com uma grande seringa na mão.

A picada. O nevoeiro. O barco à deriva. O comandante bebe o último gole de rum, atira a garrafa no mar, ajoelha-se e suplica às estrelas cobertas pelas nuvens que sua mensagem lançada do vazio chegue até alguma praia.

Por que a tripulação toda desapareceu e só ele restou? Seria um milagre ou um castigo? “Mãe, eu não quero morrer sozinho.”

O surfista pensou ter ouvido um grito enquanto tentava equilibrar-se na crista da onda. Seus ouvidos zuniram, caiu da prancha e engoliu muita água. Com dificuldade, conseguiu chegar à areia.

Sua prancha desaparecera. Permaneceu alguns  instantes sentado, na esperança de que as ondas lhe devolvessem o que perdera.

O mar, estranhamente, foi tornando-se cada vez mais calmo. O zumbido nos ouvidos diminuiu, misturando-se agora ao ecos do que parecia ser um grito desesperado que vinha de longe.

Olhou para o lado e notou algo na areia. Aproximou-se e apanhou o objeto.

Uma garrafa de rum, vazia.
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ALABAMA 3

2009 Julho 11
por oanodalargartixa

O FILHO DA PUTA DO PETER PAN

2009 Julho 10
por oanodalargartixa

navio

Aquele navio não saía do porto. Há anos permanecia atracado num local distante do cais, afastado das outras embarcações e protegido por uma névoa que insistia em obscurecer os contornos do barco, dia e noite.

Ele perambulava por perto, em geral à noite, indagando a marinheiros e estivadores o que aquele navio fazia ali há tanto tempo. Recebia respostas desencontradas.

A versão mais corrente  era de que a embarcação tinha sido abandonada por seu comandante. Ele havia enlouquecido após, um dia, ter acordado com a sensação de que se transformara no Capitão Gancho. Não levou a coisa muito a sério até que, no convés, deu de cara com Peter Pan, que tentou jogá-lo ao mar, onde um crocodilo sedento de sangue estava sempre à espreita.

Lógico que era mais uma história de bêbados. Contudo, por mais que também bebesse com eles e quase sempre duvidasse de suas histórias, ele não tinha coragem de se aproximar daquele monte de ferro flutuando.

Um dia, porém, bem cedo, pela manhã, ele tomou uns tragos e caminhou em direção ao navio enevoado. Quando chegou perto, não enxergava um palmo diante do nariz, devido àquela nuvem de neblina que parecia nunca se afastar das vizinhanças do local onde a embarcação estava fundeada.

- Não se aproxime do meu barco, gritou alguém de dentro da névoa.

- Só quero saber quem é você, retrucou ele.

- Não importa quem eu sou, mas eu tenho certeza de que você é ele.

- Ele quem?

- O filho da puta do Peter Pan.

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