EXILADO NA RUA PRINCIPAL

Era quando as coisas saíam totalmente do controle, ou melhor, quando ele saía totalmente do controle, as sombras bloqueavam a porta da frente, os fantasmas avançavam pela porta dos fundos, era assim, quando se sentia totalmente cercado, bem, era nesses momentos que ele começava a murmurar algumas palavras desconexas que, se alguém pudesse ouvir, talvez confundisse com algum tipo de oração.
Não que isso fizesse alguma diferença, tivesse algum efeito sobre as coisas, sobre o cerco das sombras e dos fantasmas, sobre a garganta apertada por mãos invisíveis e poderosas.
Não, nada disso.
As sombras continuavam lá, os fantasmas continuavam lá, as mãos na sua garganta também.
Mas pelo menos, enquanto pronunciava aquelas palavras sem sentido, dirigidas a algo ou a algum lugar fora dele, talvez dentro, não conseguia distinguir bem, enquanto pronunciava aquelas palavras, encolhido na cama como um bebê, bem, aquilo lhe dava algum tempo de pensar numa saída.
Não que tivesse qualquer esperança de encontrar uma saída.
Mas talvez a saída o encontrasse.
Isso me lembrou uma música do Band of Horses. Is there a ghost.
http://www.youtube.com/watch?v=JK716RqoUms
abraços!!
CANSEI.VOU ESPERAR QUE A SAÍDA TAMBÉM ME ENCONTRE!