SÓ FICÇÃO

Ela disse que ele andava pesado. “É só ficção”, ele respondeu. Mas sabia ao que ela estava se referindo, pois nunca havia conseguido desvincular totalmente o que sentia do que escrevia.
Daí, para quem o conhecia bem – e com certeza ela o conhecia hoje melhor do que ninguém -, era fácil perceber o que se escondia por trás do que ele insistia em dizer que era “só ficção”.
O pior é que ele não fazia isso deliberadamente. Apenas acontecia, mesmo que ele inventasse enredos totalmente distanciados da realidade em que vivia. Ele até insistia bastante nisso, pois queria provar, em especial para si mesmo, que era capaz de se transformar numa pessoa totalmente diferente, se colocar num local e numa situação completamente desconhecidos e então escrever histórias a partir dali.
Durante uma parte considerável do caminho, conseguia até manter-se distanciado de si mesmo e mergulhado no mundo imaginário que criara. Contudo, de repente, percebia que havia perdido o rumo, ou seja, percebia que estava, aos poucos, voltando a assumir o controle. A partir desse ponto, não havia mais jeito.
Embora continuasse tentando levar adiante sua história inventada, tudo começa a cheirar mais e mais a uma grande farsa. Sabia que, dali a pouco, nos próximos parágrafos ou talvez na próxima página, acabaria se entregando.
A máscara cairia e ele estaria nu, de novo.
Por sorte, só as pessoas que o conheciam bem percebiam isso – e com certeza ela hoje o conhecia melhor do que ninguém.

não entendo nada disso (crítica literária)…mas que texto!!!!!!! nem sei expressar o que ele desperta???????!!!!!!
arte é difícil