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RATOS…

junho 28, 2007

Ratos...

rat2.jpg

Como praga, os ratos iam tomando conta da casa. Durante o dia, pareciam simplesmente não existir, mas à noite, em especial de madrugada, ensurdeciam seus ouvidos com os ruídos de seus rápidos movimentos na sala.

Histórias sobre invasões de ratos não eram novidade. Havia lido várias delas e até visto algumas no cinema e na televisão. Só que agora estava acontecendo com ele, em sua casa.rato_preto.jpg

No começo era um ou outro camundongo que se atrevia a entrar casa adentro, vindo do porão. Sempre odiou ratoeiras, mas, como tinha cachorros, preferiu usar uma debaixo da geladeira, em vez de espalhar veneno pelos cantos.

Às vezes, de madrugada, deitado na cama, ouvia o barulho da ratoeira estalando, significando que provavelmente um camundongo havia sido apanhado e que ele, pela manhã, teria que ver o bicho com a cabeça esmagada, antes de jogá-lo na lata de lixo. Diante da possibilidade dessa ingrata tarefa ao amanhecer, ele quase sempre demorava muito para voltar a dormir.

Contudo, o barulho da ratoeira solitária, estalando debaixo da geladeira, trazia também algum alívio, isso porque o extermínio de um camundongo significava que a casa e ele ficariam livres de ratos por algum tempo, o tempo exato de outro camundongo surgir, vindo do porão, o que costumar demorar duas ou três rato_preto1.jpgsemanas.

Só que a freqüência das visitas dos camundongos começou a aumentar. Logo passou a ouvir a ratoeira estalando debaixo da geladeira duas ou três vezes na mesma semana. Isso fez com que comprasse uma segunda ratoeira, que colocou embaixo da estante de discos da sala. Obviamente, sua tortura noturna, provocada pela expectativa em relação ao súbito barulho das armadilhas amassando as cabeças dos roedores, também duplicou.

A essa altura, por mais que isso o contrariasse, era obrigado a admitir que devia existir um “ninho” de camundongos no baixo e escuro porão da casa. Mas só a menção da palavra “ninho” o arrepiava e lhe dava náuseas. E colocar veneno, mesmo no porão, nem pensar. O que poderia acontecer aos cachorros, se eles resolvessem brincar com algum camundongo envenenado que passasse trôpego pelo interiorratoeira.jpg da casa? Não, não, veneno estava fora de cogitação. Quem sabe algumas ratoeiras no próprio porão? Foi até a loja da esquina e comprou mais quatro armadilhas.

Quando chegou em casa, percebeu que, se colocasse as ratoeiras no porão, teria que verificar diariamente se havia ratos mortos presos nelas. Isso implicava em ter que, todos os dias, além de vistoriar as armadilhas da cozinha e da sala, ir até o porão, onde, de joelhos, faria a vistoria nas outras quatro ratoeiras ali armadas. Como o porão era totalmente escuro, ele teria de levar uma lanterna ou inspecionar as ratoeiras apenas pelo tato, o que implicava em dois riscos: ficar com os dedos presos na armadilha ou pegar o cadáver de um camundongo com as mãos nuas. Chegou à conclusão de que o ferimento nos dedos não seria grande problema, pois as ratoeiras eram pequenas. Já pegar rato morto com a mão…ratoeira3.jpg

Decidiu colocar as quatro novas ratoeiras também dentro de casa: mais uma na cozinha, outra na sala e as restantes em cada um dos quartos. Por enquanto, o porão, com seu “ninho” de ratos, ficaria fora da “geografia oficial” da casa, cujo interior, agora protegido por seis ratoeiras, estaria mais que seguro.
Resolvido o problema, foi deitar. No escuro, começou a suar, torcendo para que nenhuma das seis ratoeiras estalasse, pelo menos enquanto estivesse acordado.

Amanhã pensaria melhor no que fazer para se livrar definitivamente dos ratos. Adormeceu embalado por essa perspectiva otimista.

De madrugada, foi acordado por um ruído estranho? O que seria aquilo? Não era certamente um “estalo” de ratoeira, pois isso ela já aprendera a distinguir bem. De repente, outro ruído, e outro, e mais outro. Levantou-se, foi até a sala e acendeu a luz, a tempo de perceber uma série de “movimentos” rápidos riscando o chão da sala em várias direções.camudongo.jpg

Quando recuperou o fôlego, ficou imóvel, tentando identificar qualquer ruído no ambiente. Silêncio total. Com o coração ainda acelerado, voltou para o quarto e se deitou. Ficou um longo tempo de ouvidos bem abertos, mas não ouvia absolutamente nada. Finalmente, fechou os olhos e começou a relaxar…

De repente, aconteceu de novo: aqueles ruídos estranhos no escuro. Levantou-se de um pulo, foi até a sala a acendeu a luz. Dessa vez, percebeu ainda mais claramente outra série de “movimentos” riscando o chão da sala.
Não havia mais alternativa. Só veneno deteria aquela “invasão”. Os cachorros que se cuidassem. Afinal, brincar com ratos ou até mesmo ratos-1.jpgcomê-los era coisa de gatos.

Quase não conseguiu pregar o olho e, de manhã, bem cedo, foi até a loja da esquina e comprou veneno em iscas, que espalhou pelos cômodos da casa, sempre tomando cuidado para que não ficassem ao alcance dos cães. Ah, sim, o porão.

Despejou lá mais da metade do saco das “iscas assassinas”.
Naquela noite, novamente, pouco dormiu, já que ficou a maior do tempo escutando os “ruídos estranhos” correndo pelo chão da sala, mas não se levantou sequer uma vez. Não queria atrapalhar a “santa ceia” do roedores.ratoeira2.jpg

Na manhã seguinte, logo ao se levantar da cama, teve um pensamento que o deixou extremamente preocupado: não sabia quando, mas em breve seria obrigado a recolher os cadáveres dos camundongos envenenados que iriam aparecer pela casa.

Dois ou três dias se passaram sem que ele encontrasse nem um ratinho morto, embora durante as madrugadas continuasse a suar frio ouvindo os “movimentos rápidos” cruzando o chão da sala. Lá pelo quarto ou quinto dia, ele não agüentou e, ao ouvir novamente aqueles conhecidos ruídos no meio da noite, levantou-se, foi até a sala e acendeu a luz: “rápidos movimentos” cruzaram o chão e desapareceram debaixo dorato2.jpgs móveis.

Profundamente transtornado, sentou-se numa poltrona e permaneceu em silêncio, imóvel. Passado algum tempo, ouviu um leve ruído vindo da sua esquerda. Virou o rosto rapidamente mas não viu nada. Mais algum tempo e outro ruído, agora às suas costas. Dessa vez, não se mexeu. Outro pequeno intervalo e um “movimento rápido” bem à sua frente. Continuou imóvel.

Não demorou muito e um gracioso ratinho apareceu empoleirado no encosto da poltrona bem ao seu lado. Logo depois, outro camundongo surgiu em cima de uma caixa de som.

Ainda estava de boca aberta e com o estômago saltando, quando viu mais um roedor caminhando tranqüilamente sobre a mesa.

Depois começou o “dilúvio”, isto é, parecia que todos os camundongos da cidade, fugindo de uma inundação, resolveram buscar refúgio naquela sala. Estavam em cima de todos os móveis e faziam zig-zag pelo chão.

Estava irremediavelmente cercado, cercado de ratos e ratoeiras por todos os lados.

ratos1.jpg

3 Comentários leave one →
  1. julho 10, 2009 4:21 pm

    Em galinheiro dos ovos de ouro é refresco para ratos petistas. O Lula que se cuide !

  2. julho 10, 2009 4:24 pm

    Ciro Gomes diz que PT é ninho de ratos. Está ceeeeeeerto !!!

  3. março 29, 2010 9:56 am

    eu tenho 7 anos e meu pai tem 50 e ele tem medo de um ratinho bem pequenininho mais não conta pra ele é o maior cegredo dele ha ha ha um beijo

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