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TOO OLD TO ROCK AND ROLL

fevereiro 21, 2010

Muito velho para o rock and roll, muito novo para morrer. Bem, isso só se aplicava totalmente à primeira parte, ou seja, ao rock and roll. Quanto a ser muito novo para morrer, a coisa era muito, muito relativa mesmo.

Afinal, muita gente que ele conhecia com a idade dele – e até mesmo mais nova – já tinha embarcado.

Então era meio que frustrante descobrir que aquela maravilhosa frase, que, de certa forma, consolara tanta gente da sua geração, já não servia para praticamente mais nada agora para ele.

Pensando nisso, sentiu uma irresistível vontade de dar várias cuspidas no chão.

Melhor seria, dali para a frente, começar a se apoiar em qualquer outro slogan, tipo “still alive and well”. Quer dizer, mais ou menos aí também. Com certeza ainda esta vivo, mas bem?

Tinha de admitir: fazer algumas coisas – antes tão naturais quanto respirar – estava se tornando, aos poucos, cada vez mais difícil.

Cuspiu várias vezes no chão novamente.

Claro, ainda não era o caso de entrar em pânico, mas, inegavelmente, seria bom começar a entender que as coisas estavam mudando, independente de todas as mensagens em contrário que sua cabeça – ou o que ele achava que era a sua cabeça – lhe enviava e em sentido radicalmente oposto ao seu tão caro e incontrolável desejo de continuar jovem para sempre.

De repente, sentiu vontade de novo de continuar cuspindo no chão.

Então disse para si mesmo: “Que porra de papo mais estúpido e careta!” Contudo, logo em seguida, concluiu que todos aqueles pensamentos que escorriam pelos encanamentos enferrujados do seu cérebro eram, justamente, uma prova de que as coisas estavam se complicando, isto é, estava irreversivelmente ficando velho.

E não só para o rock and roll. O rock and roll que se fodesse. Ele estava ficando velho para a vida. Então não era apenas o rock and roll que estava se fodendo. Era ele também. E muito.

Cuspiu mais um pouco no chão.

Resumindo, o dele estava na reta e não havia nada que pudesse ser feito a respeito. Ou melhor, até havia. Contudo, além de não querer, ele não sabia como aceitar que aquilo fazia parte da história, da sua história. Não sabia como lidar com aquilo, muito menos tirar algum proveito daquela coisa, como lhe diziam que algumas pessoas conseguiam fazer. Não, ele não sabia e não queria. Não queria, não queria e não queria.

Cuspiu de novo no chão e ficou pensando que, quando ela chegasse, ia concluir que ela já estava babando. Afinal, que outro motivo haveria para aquela quantidade toda de saliva espalhada pelo piso do quarto?


One Comment leave one →
  1. permalink
    fevereiro 26, 2010 10:14 pm

    De tanto cuspir…achou que estava babando, mera falta de foco…in short : ele era moço e ainda mais novo que o rock and roll.

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