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SEM BANG, SÓ CLIC

setembro 26, 2011

Eu sempre faço a coisa errada. E quando isso não acontece, é com certeza porque, de alguma forma, eu me enganei. Isso, como diziam antigamente, é líquido e certo. Minhas dúvidas pairam, portanto, sobre os motivos que me levaram a estabelecer esse tipo de comportamento. Não sei se é algo de origem cármica, atávica, ou se foi algo desenvolvido a partir de meu medo infantil de errar e decepcionar os outros.
Seja como for, eu sempre faço a coisa errada, tomo a decisão errada, digo a palavra errada no momento errado.
Às vezes até me assombro com essa minha capacidade “paranormal” de fazer merda. Se conseguisse usar esse “dom” para fazer dinheiro ou ajudar a humanidade, certamente estaria podre de rico ou seria venerado como santo.
De qualquer forma, é isso.
Espero que as pessoas que lerem isto compreendam as razões que me levaram a tomar a atitude que estou tomando.
Pode parecer a algumas dessas pessoas, ou quem sabe a muitas delas, que os motivos aqui expostos não justificariam um ato tão radical. Garanto que essas pessoas nunca se sentiram como eu me sinto, isto é, tendo que conviver com o fato conclusivo e irreversível de saber que sempre faço a coisa errada (por mais que eu, sinceramente, tente acertar).
Assim, só me resta agradecer a compreensão dos que me compreenderam e lamentar a incompreensão dos que não compreenderam.
Enfim, de um jeito ou de outro, obrigado a todos pela atenção.

Cuidadosamente, ele colocou o papel branco escrito com tinta preta em cima da mesa da cozinha e prendeu uma das pontas no vaso de centro com flores murchas, de modo a que o bilhete ficasse bem visível para quem entrasse pela porta que dava para a sala, mas também para quem, por acaso, entrasse pela porta que dava para o quintal.
Encostou o cano no ouvido direito e apertou o gatilho. No lugar do BANG, ouviu apenas um CLIC.
Percebeu então que tinha esquecido de carregar a arma.

2 Comentários leave one →
  1. Eloy Toledo permalink
    setembro 27, 2011 1:43 pm

    Nunca ouvi nem o bang nem o clic, porém confesso que muitas vezes tive vontade. E, entendo, que só a vontade já é sinal de insanidade.Afinal, sei que sou insano, e daí? Abraços do Véio Pau d’ água.

  2. Beto permalink
    setembro 27, 2011 3:58 pm

    Zim!

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